6 de mar de 2012

Nuvem de ozônio é maior que o imaginado

Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos conduziu a primeira análise de alta resolução do ozônio – principal constituinte do smog – que viaja da Ásia para o oeste do país. O smog, em termos genéricos, é um nevoeiro contaminado por fumaças. As descobertas do grupo, publicadas no mês passado no Journal of Geophysical Research, indicam que a contribuição de emissões asiáticas com a poluição intercontinental é maior do que se imaginava.

Cientistas vêm documentando o fenômeno da poluição que cruza o Oceano Pacífico desde os anos 1990. A maioria das pesquisas, até agora, focava em como emissões importadas afetavam níveis médios de poluição, mas a última análise vai mais longe, diz Meiyun Lin, químico da atmosfera da Universidade Princeton. “Nós mostramos que as emissões asiáticas contribuem com a poluição a nível do solo nos Estados Unidos.”

Usando modelagem química, Lin e seus colegas distinguiram entre poluição gerada localmente e a que chega de milhares de quilômetros. Eles analisaram dados de qualidade do ar de satélites e medidas de solo para rastrear a passagem do ozônio de fábricas da Ásia para os EUA no curso de alguns dias em meados de 2010.

Eles descobriram que a maioria da poluição americana vem de fontes locais, mas que 20% dela é atribuível a emissões asiáticas.

Kathy Law, química do instituto de ciências de atmosfera e astrofísica LATMOS-CNRS, em Paris, diz que os resultados mostram que o controle da poluição de longo alcance é uma questão internacional.

De acordo com os padrões atuais de qualidade nacional do ar da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), o ozônio não deve exceder 75 partes por bilhão na atmosfera. Lin e seus colegas descobriram nos dias de ozônio em cidades americanas acima do máximo, que as emissões asiáticas foram o que as puxaram para cima na metade das vezes.

Terry Keating, cientista de qualidade do ar do Escritório do Ar e Radiacão da EPA disse que, embora o trabalho contribua para os esforços de entender como emissões globais afetam poluições regionais, são necessários mais estudos para quantificar o impacto, informa a Nature.


José Eduardo Mendonça

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