2 de ago de 2011

Brasil e China desenvolvem cooperação em renováveis

Parceria entre a Coppe e a Universidade de Tsinghua busca formular estratégias e ações para subsidiar decisões dos dois governos nas áreas de energia e deve contribuir para a redução das emissões de gases do efeito estufa

A cooperação firmada entre o Brasil e a China, por meio do Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, poderá resultar em benefícios para o Brasil especialmente na área de energias renováveis, disse o diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Segen Estefen. Ele participou de seminário realizado hoje (27) pelo Centro China-Brasil, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.

O Centro China-Brasil é fruto de parceria entre a Coppe e a Universidade de Tsinghua, principal universidade chinesa na área de engenharia. O centro tem por objetivo formular estratégias e ações para subsidiar decisões dos dois governos nas áreas de energia e de meio ambiente.

Segen Estefen declarou que o Brasil e a China têm características comuns em termos de discussões sobre as emissões de gases poluentes, o que abre um espaço de convergência na atuação dos dois países, “o que é positivo para o Brasil”. Ele destacou que em relação às tecnologias renováveis, sobretudo, em que a China vem exercendo preponderância nos últimos anos, em função do baixo custo de produção, são grandes as oportunidades de transferência de tecnologia para o Brasil, principalmente em torres dos aerogeradores, na parte de energia eólica (dos ventos), e também nos painéis solares, com destaque para o fotovoltaico.

“Nesse contexto, a Coppe busca uma parceria, na qual nós poderíamos contribuir no avanço dessas tecnologias mas, ao mesmo tempo, trabalhar as tecnologias para a realidade brasileira, para que elas sejam mais eficientes para as condições do Brasil”. A Coppe deve assinar nos próximos dias um acordo com uma grande empresa chinesa fabricante de aerogeradores, “dentro da possibilidade de o Brasil tropicalizar esses equipamentos”, disse.

Outro projeto em andamento, que prevê a permanência de dois pesquisadores da Coppe na China pelo período de 60 dias, trata da produção de biocombustíveis, com ênfase no biodiesel. “Nós usaríamos palma para a fabricação de biodiesel, que é uma tecnologia que os chineses desenvolveram com a Dinamarca e nós queremos também adequar para a realidade brasileira”.

De acordo com Segen Estefen, a ideia é trabalhar com os chineses naquilo em que eles estão desenvolvidos, mas sempre voltado para a aplicação no Brasil. Avaliou que o país deve aproveitar a dinâmica de crescimento econômico da China “e tentar tirar algum benefício, e não confrontar a capacidade deles de produção”. Segundo o diretor da Coppe, dificilmente, o Brasil poderá concorrer com os chineses em termos de produção. “Mas podemos contribuir para o aprimoramento da tecnologia e dividir com eles a propriedade de alguns desenvolvimentos tecnológicos”.

A cooperação bilateral entre a Coppe e a Universidade de Tsinghua poderá resultar, na prática, em transferência de tecnologia brasileira para a China e chinesa para o Brasil. “Um dos objetivos é esse. Mas não só transferir. É nós acharmos alguns pontos de convergência onde a experiência nossa possa se agregar à experiência deles”.

Apesar dos chineses estarem mais avançados em tecnologia para energia solar e eólica, o país asiático poderá se beneficiar da tecnologia da Coppe, que desenvolve um trabalho de geração de energia a partir de ondas e marés. Estefen disse que os chineses reconhecem também a supremacia brasileira na tecnologia para produção de petróleo em águas profundas. Estudantes chineses estão trabalhando com pesquisadores na Coppe nessa área.

“O que nós queremos é que esse centro em Tsinghua seja aglutinador de iniciativas que nós tenhamos com outras universidades da China”. Estefen assegurou que o Brasil não pode ficar alheio ao que ocorre na China. “A China hoje é um vetor muito importante na ordem mundial. E quem não estiver de certa forma interagindo com a China, tende a ficar alienado desse movimento mundial”.

Intensidade de Carbono
Xie Zhenhua, vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC), afirmou nesta quarta-feira (27) que o intercâmbio de conhecimento e tecnologia entre os países é indispensável não apenas para os objetivos chineses, mas também para o combate às mudanças climáticas.

Estratégias de cooperação, como esta firmada com o Brasil, devem ajudar a China a alcançar sua meta de redução intensidade de carbono em 17% até 2015.

Xie Zhenhua declarou que os detalhes do plano para conseguir cortar a quantidade de carbono por unidade do PIB serão apresentados em breve, mas assegurou que o país está cumprindo o que era esperado.

De acordo com o rascunho do plano apresentado em janeiro, os diversos setores da economia terão que respeitar metas obrigatórias de consumo de energia e água. Além disso, 2255 companhias deverão fechar suas unidades menos eficientes para contribuir. A siderurgia será a área mais afetada pela ordem, com uma possível queda na produção de 59 milhões de toneladas.

A China prometeu ainda aumentar a porcentagem das energias renováveis em sua matriz para 15% até 2020. Entretanto, o país segue extremamente dependente do carvão e é o maior consumidor do recurso no planeta.

Assim, existe a aposta em tecnologias com a captura e armazenamento de carbono (CCS). Diversos grupos internacionais estão acreditando que a China será o líder dessa metodologia em breve. Porém, segundo Su Wei, diretor geral do Departamento de Mudanças Climáticas do NDRC, o CCS é visto apenas como uma ferramenta de transição, a ser utilizada principalmente entre 2020 e 2030.

O objetivo final chinês é reduzir em 45% a intensidade de carbono até o fim da década.

Autor: Alana Gandra - Fonte: Agência Brasil/Instituto CarbonoBrasil

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