12 de out de 2010

Boas notícias: conceitos REDD já são aplicados

Enquanto as negociações internacionais sobre o novo acordo climático ainda não chegam ao fim, iniciativas que aplicam os conceitos de REDD já estão sendo testadas em diversas partes do mundo de forma incipiente e por meio de mercados voluntários.

A The Nature Conservancy (TNC), por exemplo, está envolvida com algumas propostas. “A organização ajudou a construir um projeto de REDD na Bolívia e tem outras experiências pelo mundo. De acordo com um levantamento recente existem cerca de 15 projetos na América do Sul, no âmbito do mercado voluntário. Esse tipo de prática concreta nos oferece lições de como o mecanismo REDD pode dar certo”, relata Fernanda Carvalho.

A assessora da TNC explica ainda que os conceitos de REDD considerados nesses projetos são o envolvimento da comunidade, a preocupação com a biodiversidade e o monitoramento da redução do desmatamento.

No Brasil, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, localizada na cidade de Novo Aripuanã, região sul do Amazonas, abriga o primeiro projeto brasileiro a ter a sua metodologia de crédito de carbono validada de forma independente com base nos padrões do Climate, Community and Biodiversity Alliance (CCBA). Para chegar a esse resultado, o Projeto Juma teve o assessoramento técnico do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam). Porém, é uma iniciativa da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), instituição público-privada que conta com recursos do Estado do Amazonas e do setor privado. Inicialmente serão investidos US$ 2 milhões, ao longo de quatro anos.

O Idesam elaborou uma série de estudos técnicos e jurídicos para estruturar, no contexto do estado, um mecanismo de pagamento de serviços ambientais e um mercado de carbono. Para isso contou com a ajuda do Banco Mundial.

“O Juma prevê a contenção de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de CO2 – que seriam geradas até 2016 a partir da extração ilegal de madeira, da abertura de pastagens e de áreas de cultivo e grilagem de terras. As reduções obtidas por meio dessa iniciativa serão transformadas em créditos de carbono, que poderão ser adquiridos por hóspedes dos hotéis Marriott para neutralizar suas emissões durante a estadia em qualquer uma das unidades da rede”, explica o Coordenador do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam, Mariano Colini Cenamo.

Ele acrescenta que a principal diferença do projeto Juma é a repartição de benefícios. Ou seja, os recursos são investidos diretamente nas 35 comunidades que reúnem cerca de 340 famílias, por meio de orçamento aprovado pelos próprios cidadãos. Questionado sobre a receptividade das famílias, Mariano lembra que inicialmente foi complicado entenderem como funciona o projeto e do que se trata as mudanças climáticas. “Tivemos um processo de conscientização para explicar porque reduzir o desmatamento é necessário e quais os benefícios para as comunidades em adotar uma nova prática de uso da floresta”, conta.

A área da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma foi criada pelo governo do Amazonas em 2006. Localizada às margens da rodovia AM-174 é em região de alto risco de desmatamento.

Mudanças Climáticas

Um comentário:

Anônimo disse...

Boa tarde Ana Cristina.

Temos o mesmo nome.
Acessei o blog e não consegui localizar o contato de e-mail.Por favor será que pode me enviar?

anacristina@voice.com.br

Obrigada.