7 de ago de 2010

Pacto climático da ONU pode conter três tratados

O novo pacto climático das Nações Unidas para estender ou substituir o Protocolo de Quioto pode se constituir de até três instrumentos legalmente compulsórios, não apenas um, comentou o chefe das negociações climáticas do México na quinta-feira.

O encontro da ONU em Copenhague no ano passado não conseguiu produzir um acordo legal para combater as mudanças climáticas, deixando cerca de 190 países sem escolha a não ser voltar a mesa de negociações este ano.

Luis Alfonso De Alba, representante especial mexicano para mudanças climáticas, disse à Reuters que podem existir até três tratados que obrigariam os países a cortar as emissões de gases do efeito estufa e ajudaria os mais vulneráveis com os efeitos do aquecimento global.

“Não estamos apenas falando de apenas um único instrumento legalmente compulsório, mas uma série deles”, comentou De Alba em paralelo a um encontro da ONU em Bonn, Alemanha.

“Um instrumento cobrirá (as partes do) Protocolo de Quioto, mas também é possível ter algo para os Estados Unidos e um terceiro para os países em desenvolvimento”.

A União Européia disse à Reuters na terça-feira que está aberta para considerar a opção de dois tratados ao invés de um visando superar o impasse entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O México será o anfitrião das discussões da ONU em novembro e espera o resultado “máximo, não o mínimo”, disse De Alba.

Porém, ele admitiu que pode levar “muitos anos e muitos instrumentos” para construir um documento legalmente compulsório.

De Alba expressou frustração com o progresso lento durante os primeiros dois dias das discussões esta semana, quando os delegados gastaram muito tempo no processo de negociação ao invés das questões principais.

“Os grupos agora ganharam velocidade, mas precisam se concentrar nos fundamentos e identificar as principais questões para que possamos construir um pacote abrangente de decisões em Cancun”.

Agora parece improvável que o encontro de Bonn resulte em um texto de negociação até sexta-feira devido às propostas e emendas que estão sendo adicionadas ao texto ao invés de retiradas.

Reuters

Um comentário:

Antonio Costa disse...

Será que em novembro no México vai ser reeditado o "affair" da COP15?