10 de mai de 2011

Análise: energia verde pode deixar de depender de subsídios gradualmente

O apoio do governo para energias renováveis deve acabar gradualmente e simultaneamente aos cortes nos subsídios para combustíveis fósseis, afirmaram investidores e lobistas que reclamam dos cortes imprevisíveis nos incentivos.

A maioria das fontes de energia verde ainda luta para competir com combustíveis fósseis exceto em áreas favoráveis, como por exemplo, a energia eólica em regiões costeiras da Europa Ocidental ou no Texas.

Os apoiadores crêem que os incentivos para baixo carbono acabarão com a queda nos custos das tecnologias verdes, mas os governos também vão interromper o apoio para carvão, gás e petróleo.

Investidores querem uma queda gradual e transparente no apoio às tecnologias verdes, após uma tendência de cortes inesperados que tornou a energia renovável um negócio de alto risco.

A Europa dá os incentivos mais generosos à energia solar, mas um grande corte nos subsídios que ocorreu na Espanha depois de 2008, até então líder do mercado no setor, deixou um legado de incertezas.

Agora a Itália, o segundo maior mercado do setor depois da Alemanha, luta para revisar os incentivos solares após meses de adiamentos, com novos limites para 2011-2012. A Alemanha tem sido elogiada por cortar incentivos anualmente com grande antecedência.

“A Europa não é necessariamente favorável ao investimento no que nós fazemos por causa do ambiente regulatório volátil”, apontou Bernard Lambilliotte, diretor financeiro da empresa de investidores em energia limpa Ecofin, que tem cerca de US$ 1,9 bilhão sob gestão no setor energético.

“Normalmente, a China é muito mais previsível e consistente, que, por exemplo, a Itália”, garantiu o analista de energia alternativa Max Slee.

Com exemplo de uma ajuda inútil à energia eólica, uma mudança nos incentivos na África do Sul proposta em março forçou os investidores a rever planos, disse o diretor de negociação do Conselho Mundial de Energia Eólica, que reconheceu que os incentivos ainda eram muito generosos.

“Agora todos têm que voltar atrás e refazer os cálculos dos seus projetos”, indicou Steve Sawyer, se referindo ao corte de 20% que segue o início de tal apoio. “Se isso é feito racionalmente ou de uma forma irrefletida em relação a outras questões políticas é sempre um ponto problemático”.

PREÇO DO PETRÓLEO
“O cenário é fundamentalmente favorável, mas há problemas em cada país”, sugeriu Ian Simm, diretor executivo do Impax Asset Management, que tem US$ 3,97 bilhões sob gestão em mercados ambientais.

Simm acredita que haverá metas ambiciosas para as energias renováveis na Índia até 2022 e na China nos próximos cinco anos.

Os problemas incluem reajustes no regime de apoio à energia solar britânica, apenas 12 meses após o plano ter sido apresentado. A Grã-Bretanha também está considerando grandes mudanças nos incentivos que dá às energias de baixo carbono, criando uma incerteza perigosa para a legislação final, asseguram investidores e desenvolvedores.

“O que nos preocupa é o hiato de dois anos. As pessoas vão investir um bilhão antes de analisar exatamente qual será o fluxo das receitas?”, perguntou-se Andy Kinsella, diretor executivo de projetos offshore dos desenvolvedores Mainstream Renewable Power.

“Essa decisão deve ser feita muito mais rápido”.

Algumas das tecnologias de energia renovável ainda estão longe de serem autônomas. A competitividade da eólica offshore está a uma década de distância, assegurou Kinsella, que acredita que a Alemanha anunciará um aumento na sua taxa de energia eólica offshore, um aumento garantido no preço.

Mas o custo das tecnologias está caindo, incluindo grandes quedas nos preços dos painéis solares, uma tendência que um relatório das Nações Unidas sobre energia renovável, a ser lançado na próxima semana, indica que continuará a incentivar novos avanços na tecnologia.

Políticas climáticas também estão auxiliando as renováveis, e aumentando o preço do petróleo.
“Uma usina eólica é mais barata que uma nova carbonífera, se você incluir o preço do carbono”, garantiu Sawyer. Usinas de carvão na Europa Ocidental terão que comprar créditos ou Permissões da União Europeia (EUAs em inglês) para cada tonelada de emissão de dióxido de carbono a partir de 2013.

O Departamento de Energia e Mudanças Climáticas da Grã-Bretanha considera que suas políticas verdes podem atingir um nível de equilíbrio a US$100 o preço do petróleo, como resultado de economias maiores por evitar os combustíveis fósseis.

REUTERS

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