26 de mar de 2011

Mudanças rumo a uma economia de baixo carbono não estão rápidas o bastante

Relatório da DVN prevê que empresas sustentáveis vão crescer nos próximos dez anos, mas alerta que se combustíveis fósseis continuarem a dominar geração de energia, as emissões de GEEs aumentarão mais

A transição rumo a tecnologias de baixo carbono, que vem ocorrendo timidamente nos últimos anos, continuará a crescer na próxima década, mas não vai acelerar rápido o suficiente para atingir os grandes cortes nas emissões de carbono que os cientistas acreditam ser necessários. É isso que revela o novo estudo apresentado pela empresa de gestão de riscos DNV.

A pesquisa, intitulada Technology Outlook 2020 (algo como Perspectiva Tecnológica para 2020), indica as tendências tecnológicas para os próximos dez anos, e prevê que apesar do lançamento de energias renováveis e novas tecnologias de baixo carbono, o crescimento da população, da demanda energética e do padrão de vida podem fazer a emissão de CO2 subir 20%.

O relatório também aponta que a indústria fóssil vai continuar a ter um papel central na produção de energia, e que só a energia derivada do carvão, por exemplo, vai contribuir com cerca de 39% do total da produção. Além disso, é possível que haja uma rápida expansão na perfuração de novos poços de petróleo e gás, sobretudo em águas profundas.

Elisabeth Harstad, diretora administrativa da divisão de Pesquisa e Inovação da DNV, alerta também que projetos de captura e armazenamento de carbono não estão sendo desenvolvidos na rapidez esperada, e que provavelmente este setor ainda não terá crescido muito até 2020.

“O desenvolvimento de tecnologias para o uso de CO2 – para transformar CO2 em produtos utilizáveis – acontecerá, mas provavelmente ainda não será comercial em 2020”, afirma Harstad.

O estudo também diz que em 2020, a economia consumirá recursos equivalentes aos de dois planetas Terra, e que a escassez dos minerais mais raros vai abalar a economia mundial. Por outro lado, isso vai acabar estimulando o desenvolvimento de tecnologias renováveis e do setor reciclável.

De acordo com a pesquisa, áreas de grande extensão, como a China, a Austrália, a Índia e o Oriente Médio sofrerão com fortes secas, a fome se expandirá e os níveis dos oceanos continuarão subindo.

Apesar do cenário desolador, o relatório afirma que as indústrias de baixo carbono vão prosperar nos próximos dez anos. A União Europeia e a China, por exemplo, usarão fontes renováveis para gerar um quinto de sua energia, e cerca de 8% toda a energia produzida no mundo virá de fontes eólicas.

Thomas Mestl, pesquisador sênior de renováveis da DNV, disse que na próxima década, o desenvolvimento de eficiência energética e de tecnologias renováveis será rápido, e que enormes turbinas eólicas offshore e sistemas solares fotovoltaicos, que terão entre 10 MW e 15 MW, serão implantados.

No entanto, o estudo indica que haverá o desenvolvimento de uma nova geração de usinas de energia nuclear, incluindo pequenos reatores modulares que poderão ser usados na indústria de navegação. Contudo, a pesquisa foi realizada antes do desastre nuclear ocorrido no Japão, e as projeções dependem agora das proporções que a crise tomará mundialmente, e se ela se mostrará um transtorno a curto prazo ou se a indústria repensará suas políticas nucleares.

De qualquer modo, a diretora administrativa da DNV afirma que há um consenso crescente de que o mundo batalhará muito para atingir as metas climáticas estabelecidas pela ONU de limitar o aumento da temperatura da Terra em 2 graus Celsius.

“As pessoas estão muitos mais pessimistas do que estavam há alguns anos a respeito de ações globais a serem tomadas”, afirmou Harstad, acrescentando que mecanismos políticos, como a precificação mundial do carbono, demoram muito a ser adotados. “Nós talvez precisemos que aconteçam alguns eventos perturbadores para garantir que aconteçam as ações necessárias para combater as mudanças climáticas”.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Business Green

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