7 de mar de 2011

Desenvolvimento Sustentável / Cidades

Em algum momento no decorrer de 2007 e, pela primeira vez na historia da humanidade, o número de pessoas vivendo em cidades ultrapassou o das que vivem em zonas rurais. Em 2030, a população urbana será o dobro da que vive na área rural. Os novos recordes virão acompanhados de um grande desafio – tornar este crescimento sustentável para não deixá-lo se transformar em uma sentença de morte para o planeta Terra.

“Quanto tempo ainda temos para começar a agir?”, é o que questiona o presidente emérito do Conselho de Diretores do Instituto do Clima do Reino Unido, Sir Crispin Tickell. Em 1950, quando a população urbana era de apenas 30%, o total de emissões globais de CO2 correspondia a um bilhão de metros cúbicos. Hoje são sete bilhões.

“Nós falharemos se não atacarmos o problema agora e nos adaptarmos às mudanças climáticas”, afirma o diretor do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), Rajendra K. Pachauri.Em 2015, segundo previsões das Nações Unidas, 36 megalópoles terão mais de oito milhões de habitantes. Duas destas estarão na África, uma nos países Árabes, 22 na Ásia, três na Europa, seis na América Latina e Caribe e duas na América do Norte.

Cidade Ilegal

Uma das grandes críticas ao planejamento urbano moderno é a representação ideológica da cidade com a exclusão urbanística de uma gigantesca área de ocupação ilegal do solo urbano.

Para a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, o urbanismo brasileiro não tem comprometimento com a realidade concreta, “mas com uma ordem que diz respeito a uma parte da cidade, apenas”.No artigo “As idéias fora do lugar e o lugar fora das idéias”(publicado no livro A cidade do pensamento único: desmanchando consensos), Ermínia afirma que as idéias do planejamento e regulação urbanística são aplicadas a uma parcela da sociedade reafirmando e reproduzindo desigualdades e privilégios.

“Para a cidade ilegal não há planos, nem ordem. Aliás ela não é conhecida em suas dimensões e características. Trata-se de um lugar fora das idéias”, define.Entre as conseqüências de planejar o crescimento das cidades a partir desta visão estão a insustentabilidade ambiental, a falta de relações democráticas e igualitárias, os prejuízos para a qualidade de vida urbana e a exclusão da cidadania.

“A segregação territorial e todos os corolários que a acompanham – falta de saneamento ambiental, riscos de desmoronamentos, riscos de enchentes, violência – estão a ele vinculados”, explica Ermínia.A urbanista ressalta que este processo político e econômico construiu uma das sociedades mais desiguais do mundo e que “teve no planejamento urbano modernista/funcionalista, importante instrumento de dominação ideológica: ele contribuiu para ocultar a cidade real e para a formação de um mercado imobiliário restrito e especulativo.”

CarbonoBrasil

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