23 de dez de 2010

ONU pede para países irem além do Acordo de Cancún

O UNFCCC acredita que mesmo se todos os compromissos firmados na Conferência do Clima (COP16) forem cumpridos, não será alcançada a redução de emissões necessária para manter o aquecimento global abaixo de 2°C

A Conferência do Clima (COP16) em Cancún estabeleceu um ‘Fundo Climático Verde’ que irá distribuir US$ 100 bilhões ao ano em ajuda à adaptação e mitigação das mudanças climáticas, criou mecanismos para transferência de tecnologias limpas e propôs uma estrutura para a preservação das florestas.

Mesmo com essas conquistas, em uma declaração feita nesta segunda-feira (20) do seu escritório em Bonn, na Alemanha, Christiana Figueres, presidente da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (UNFCCC), disse que os países não podem se limitar ao Acordo de Cancún, mas sim fazer o máximo para cortar suas emissões de gases do efeito estufa.

De acordo com estimativas da própria ONU, as promessas de redução feitas na COP16 irão cortar cerca de 60% do que seria necessário para alcançar uma chance de 50% de manter o aquecimento global em menos de 2°C.

Segundo cientistas, qualquer aquecimento acima de 2°C pode levar a mudanças drásticas no clima que afetarão a economia mundial, o modo de vida de milhões de pessoas, os níveis dos oceanos e a sobrevivência de milhares de espécies.

“Todos os países, especialmente as nações industrializadas, precisam aprofundar seus esforços de redução de emissões e fazer isso o quanto antes”, disse Figueres.

Tirando as medidas do papel.

Voltando a falar das propostas firmadas em Cancún, a presidente do UNFCCC fez questão de salientar a importância de colocá-las em prática o mais rápido possível, já que milhões de pessoas ao redor do mundo estão esperando há anos por essa ajuda.

Figueres garantiu que o UNFCCC irá dar suporte para todos os governos nesta fase de implementação do Acordo de Cancún e que a intenção é chegar à Conferência do Clima (COP17) na África do Sul já com exemplos concretos e de sucesso de adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

“Eu espero ver decisões rápidas para a formação da diretoria do ‘Fundo Climático Verde’ e do Comitê do Mecanismo de Tecnologias. Também aguardo para o quanto antes mais detalhes sobre o financiamento rápido prometido pelos países industrializados para que assim o UNFCCC possa calcular claramente o quanto pode ser arrecadado e distribuído”, disse Figueres.

Segundo ficou definido em Cancún, o ‘Fundo Climático Verde’ contará com uma diretoria de 24 membros formada por representantes de países ricos e em desenvolvimento. “Cancún foi um grande passo, maior do que muitos imaginavam que seria possível e expandiu significantemente as opções para o combate ao aquecimento global. A ONU está pronta para ajudar a colocá-las em prática. O importante agora é agir”, concluiu Figueres.

Fonte: Instituto CarbonoBrasil/UNFCCC

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