1 de dez de 2010

COP16 tem a missão de revitalizar luta climática

Depois de um ano de poucos avanços desde a Conferência do Clima de Copenhague, as delegações dos quase 200 países presentes em Cancún irão buscar objetivos modestos, porém concretos, e um novo fôlego para as negociações


Um encontro que será marcado pela disputa entre Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases do efeito estufa, a 16ª Conferência das Partes da Convenção Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP16) começou nesta segunda-feira (29) e vai até 10 de dezembro e deverá ser considerada bem sucedida se conseguir retomar o ímpeto na luta climática que existia antes da Conferência de Copenhague (COP 15) em 2009.

Para isso, os negociadores dos 194 países reunidos em Cancún devem buscar uma série de objetivos modestos, como ferramentas de financiamento e um rascunho do futuro acordo global (que poderá ser uma extensão e ampliação do Protocolo de Quioto) que limite as emissões para ser aprovado na África do Sul em 2011.

Os diplomatas mexicanos trabalharam por meses para reduzir o número de tópicos a serem discutidos, numa tentativa de evitar o erro de Copenhague onde a grande variedade de assuntos acabou resultando em poucos avanços.

“Os mexicanos fizeram um excelente trabalho. Os negociadores irão chegar e já poderão arregaçar as mangas e começar a trabalhar”, afirmou Chris Huhne, secretário de energia e mudanças climáticas do Reino Unido.

Quase 25 mil participantes são esperados e o evento começará com um discurso de boas-vindas do presidente mexicano, Felipe Calderón. A ministra de Relações Exteriores do México, Patrícia Espinosa, presidirá os trabalhos da conferência à qual assistirão organizações civis e sociais, funcionários da ONU e dois mil jornalistas.

A NASA e o Met Office (serviço meteorológico britânico) já anunciaram que 2010 deverá ser o ano mais quente já registrado. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas afirma que o aumento das temperaturas resultará em eventos climáticos extremos mais intensos e frequentes.

Calderón garantiu que em Cancún serão tomadas "decisões sem precedentes" e acordos "inéditos" contra a mudança climática, apesar de descartar acordo global e vinculante.

Quioto
Já que um novo acordo com força de lei está fora dos planos até do presidente do país anfitrião, normalmente a pessoa mais otimista das negociações, um dos maiores objetivos da COP 16 será debater o futuro do Protocolo de Quioto, cujo período de compromissos termina em 2012.
Porém, mesmo as nações que defendem a extensão de Quioto são unânimes ao afirmar que isso só faz sentido com a inclusão dos Estados Unidos e com novas obrigações para as economias em desenvolvimento.

“Continuar Quioto só seria viável se os Estados Unidos ratificasse o Protocolo. Nações como China e Índia também deveriam assumir mais responsabilidades, já que hoje são grandes emissores”, explicou Artur Runge-Metzger, negociador da União Européia.
O Japão também reforça essa visão, ao afirmar em nota que seria “sem importância e até inapropriado” dar continuidade a Quioto sem os principais poluidores do mundo estarem incluídos.

Sem chefes de Estado
Muitos estão dizendo que a conferência está “esvaziada”, já que o número de chefes de Estado que irão prestigiar o evento não deve ultrapassar os 30, enquanto em Copenhague foram 120.
A maior parte dos que estarão em Cancún serão presidentes de países latino americanos ou de nações insulares, que são as mais vulneráveis às mudanças climáticas. O presidente Jacob Zuma, da África do Sul, próxima sede da COP, também marcará presença. O presidente Lula e a candidata eleita Dilma Houseff não deverão ir até o México.

Mas a impressão de que essa pequena presença de personalidades políticas pode representar um fracasso do encontro é falsa. Um dos problemas em Copenhague foi justamente a briga por holofotes e o excesso de debates políticos e não técnicos. Pode ser melhor deixar os negociadores, que dominam a pauta, trabalharem do que ter vários presidentes discursando.

A questão que fica é se esses negociadores serão capazes de alcançar as medidas que podem novamente mobilizar a sociedade no contexto das mudanças climáticas.
Com a pressão mundial, o tão esperado acordo global para o limite das emissões de gases do efeito estufa seria possível em 2011.

Carbono Brasil

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