27 de jun de 2010

Neutralizar já é uma prática

A neutralização de carbono também faz parte do mercado voluntário de carbono. Diferente das iniciativas de redução dos gases estufa, a neutralização compensa o que será emitido, em virtude de uma atividade. Essa compensação pode ser, por exemplo, feita com o plantio de árvores em áreas degradadas.

“Pode-se neutralizar a fabricação de um determinado produto, a prestação de todo tipo de serviços, processos de vendas, funcionamento de instalações industriais, escritórios ou núcleos operacionais. Há possibilidade de neutralizar viagens ou a locomoção de executivos e funcionários, canais de distribuição, atividades de comunicação e eventos, por exemplo.

Cabe à empresa interessada a decisão de neutralizar o que considera mais adequado aos objetivos mercadológicos almejados e à disponibilidade de recursos que pretende investir”, explica Maria Celina de Melo, da MaxAmbiental, empresa brasileira de neutralização.

Até no mundo dos grandes espetáculos, a iniciativa ganhou espaço. Bandas como Cold Play e Pink Floyd contratam empresas para a neutralização do carbono emitido em suas apresentações.

No Brasil, há exemplos interessantes: a Revista Época, da editora Globo, fez em 2006 uma edição especial de meio ambiente (nº 439) que inovou ao não contribuir para o aquecimento global. As emissões de carbono da produção da revista resultaram no plantio de 2.003 árvores.

De acordo com informações dadas pela revista, “para fazer isso, foi necessário somar a quantidade de gás carbônico em cada etapa de produção da revista, desde o trabalho da redação, arte, fotografia e revisão, até a distribuição, que faz a revista chegar às bancas ou à casa de cada assinante. Além disso, a conta ainda considerou a quantidade de papel usado para imprimir a revista, a tinta, o verniz da capa e a energia elétrica gasta com as máquinas.

Cada produto usado na produção da revista tem um coeficiente de emissão de gás carbônico. Foi assim que os técnicos chegaram as 360 toneladas. As maiores emissões estão no transporte, que, dependendo da distância a partir das gráficas, é feito por via aérea ou rodoviária”.

Ao final do processo, foram emitidas 360 toneladas de gás carbônico, compensadas com o plantio de 2.003 árvores de mais de 80 espécies (paineiras, perobas, goiabeiras, pitangueiras, jatobás, ingás do brejo e carobas), plantadas em uma área de mata ciliar degradada em São Carlos, no interior paulista. Cada árvore levará, em média, 37 anos para absorver todo o gás carbônico emitido.

O Carnaval de Salvador é outro exemplo. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, as emissões dos trios elétricos e carros de apoio que circulam no Carnaval são neutralizadas a partir de várias ações. Uma das maneiras é o abastecimento dos veículos, nos seis dias de folia, com B-5, mistura de óleo diesel com cinco por cento de biocombustível, fornecido pela Petrobras.

Além disso, a Petrobras, em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente, promoveu na edição 2008 o plantio de 16 mil mudas em 10 hectares localizados nas proximidades da Refinaria Landulpho Alves - RLAM, no município de São Francisco do Conde, para compensar as emissões de carbono durante a festa. Esta ação está de acordo com o Programa Floresta Bahia Global (PDF 2.366 KB - Baixar Arquivo) que certifica a neutralização das emissões de CO2 por meio do selo Carbono Zero.
(mudança climática)

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