15 de mai de 2010

Números de projetos de MDL no Brasil tem queda de 50% em 2009. O que está havendo?

Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (ABEMC) mostra que o Brasil caminhou para trás em 2009 no que se refere à aprovação dos projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), junto ao Conselho Executivo da ONU, com uma queda de 50% no número de projetos registrados em 2009, comparativamente a 2008. Em âmbito mundial, estimativas preliminares apontam que o valor de comercialização dos créditos diminuiu em 2009 para US$ 118 bilhões, em comparação a US$ 126 bilhões em 2008, mas o número de projetos registrados teve um incremento de 60%, de 367 para 610 em igual período.
Em 2008, foram registrados 34 projetos brasileiros, o equivalente a 9% dos 367 projetos no mundo. Já em 2009, o número caiu para 17 no Brasil. Com isso, a participação do País diminuiu para menos de 2% entre os 610 projetos registrados em âmbito mundial.
A falta de compreensão quanto ao funcionamento do mercado de carbono, a ausência de um regime tributário específico, os riscos regulatórios e a falta de definição da natureza jurídica dos CERs (Certificado de Emissão Reduzida) são fatores que têm afetado diretamente o número de registros de MDL no Brasil.
A isso se acresce ainda a demora no processo de aprovação e a proximidade do período de 2012, em torno do qual há incerteza quanto ao estabelecimento de um novo protocolo – fator que, juntamente com os efeitos da crise financeira internacional, afetou também o mercado mundial.
PotencialDesde a implementação dos projetos de MDL foram registrados 165 projetos do Brasil no Conselho Executivo de MDL da ONU, em comparação a 1.946 projetos em âmbito mundial, segundo dados atualizados até o último dia 04 de dezembro.
A estimativa é que esses 165 projetos possibilitem a geração de 20,8 Milhões de Créditos de Carbono em média por ano, com um potencial de negociação total de R$ 686 milhões/ano (o cálculo considera um valor médio do Crédito de Carbono de 12 euros e um câmbio de 1 euro X R$ 2,74).
Os 34 projetos brasileiros, registrados em 2008 junto ao Conselho Executivo do MDL na ONU, representam uma média anual de emissões de créditos de carbono no valor total de R$ 74,7 milhões. Tais projetos podem chegar a gerar R$ 1,56 bilhão, se considerado o prazo máximo de duração de um projeto.
Já em 2009 o número caiu para 17 projetos (segundo dados até novembro), representando uma média anual de emissões de Créditos de Carbono da ordem de R$ 38,5 milhões, valor este que pode alcançar R$ 808 milhões, se considerado o período máximo de duração de um projeto.
Fonte: Carbono Brasil

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