15 de jun de 2013

EMISSÕES GLOBAIS DO SETOR ENERGÉTICO BATEM NOVO RECORDE

Relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia aponta que o setor energético global emitiu 31,6 gigatoneladas de gases causadores do efeito estufa em 2012 – 1,4% a mais do que no ano anterior. China e Japão aparecem como principais responsáveis pelo aumento recorde.


Cientistas da ONU já alertaram que, para conservar a vida na Terra da maneira como a conhecemos hoje, é necessário garantir que o aumento da temperatura do planeta não ultrapasse os 2ºC neste século, o que pede que haja redução de mais de 50% nas emissões globais de gases causadores do efeito estufa (GEE) até 2020. Mas, apesar dos avisos, o mundo segue na direção contrária e, mais uma vez, o setor energético bateu recorde mundial na liberação de poluentes na atmosfera.

É o que mostra o relatório Redrawing the Energy-Climate Map, divulgado nesta segunda-feira (10) pela Agência Internacional de Energia (IEA). O documento revela que, em 2012, o setor liberou 31,6 gigatoneladas de GEE - valor 1,4% maior do que o registrado no ano anterior, em 2011, quando o nível de emissões já havia sido recorde.

A China é apontada pelo relatório como a que mais contribuiu para o crescimento global, por emitir 300 milhões de toneladas de GEE a mais do que em 2011 - embora este tenha sido um dos menores aumentos protagonizados pelo país na última década, graças aos investimentos em energia renovável e eficiência energética. O Japão aparece como o segundo maior responsável: a nação aumentou suas emissões em 70 milhões de toneladas no último ano.

Já os Estados Unidos ganharam destaque no documento por diminuir os níveis de emissões de GEE. Na "nação do Tio Sam" a redução foi de 200 milhões de toneladas, graças à substituição do carvão por gás natural. A Europa também apresentou queda de 50 milhões de toneladas, "apesar de alguns países terem aumentado o uso de carvão", como alerta o relatório, que ainda garante que, se o ritmo atual de emissões for mantido, a temperatura do planeta deve crescer entre 3,6 ºC e 5,3 ºC nas próximas décadas.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Apesar das más notícias, o documento cita quatro políticas no setor energético que podem manter vivas as esperanças de limitar o aumento da temperatura do planeta em 2ºC.

Segundo Fatih Birol, principal autor do relatório, o quarteto de medidas é baseado, apenas, em tecnologias existentes, não tem nenhum custo econômico líquido e já foi adotado com sucesso em vários países, sendo uma excelente solução para a redução rápida das emissões de GEE no mundo, enquanto as negociações internacionais a respeito das questões climáticas avançam.

As quatro ações que compõem o plano da IEA são, basicamente:
- definir medidas de eficiência energética nos setores de construção, indústria e transporte;
- limitar a construção e utilização das usinas de carvão menos eficientes;
- reduzir pela metade as emissões de metano esperadas para 2020 e
- implantar uma política que elimine gradativamente os subsídios ao consumo de combustíveis fósseis.

Débora Spitzcovsky

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