11 de jun de 2012

Japão deve reiniciar reatores e planeja futuro em meio à crise nuclear

 Após cerca de um mês livre de energia gerada por reatores nucleares, um painel de cientistas japoneses declarou que dois reatores podem voltar a operar.

Doze especialistas indicados para avaliar a segurança dos reatores pela administração de Fukui, onde está localizada a usina nuclear de Ohi, deram o sinal verde para que o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, possa reiniciar as unidades.

Apesar da aprovação das autoridades locais não ser juridicamente obrigatória, o governo central geralmente pede o seu consentimento. Segundo a agência de notícias Kyodo News, Noda deve dar o seu parecer até 16 de junho.

Uma pesquisa do Pew Research Centre divulgada na semana passada mostra que a oposição da população às usinas aumentou: 70% dos japoneses entrevistados disseram que o país deve reduzir a sua dependência sobre a energia nuclear.

Em 5 de maio de 2012, o último dos 54 reatores nucleares em operação no Japão havia sido desativado.
A cada 13 meses, os reatores atômicos japoneses são desligados para que se façam avaliações e possíveis reparos. Mas após o acidente ocorrido na usina de Fukushima, em março do ano passado, nem os reatores fechados para inspeção nem os que já haviam sido encerrados antes do desastre foram reativados.

Para atender a demanda por energia, o governo passou a utilizar termoelétricas alimentadas por combustíveis fósseis. Atualmente, as termoelétricas respondem por 90% da geração no Japão, em 2011 essa participação era de 64%. Os outros 10% estão sendo providenciados por fontes renováveis, como solar e eólica. Previamente ao acidente de Fukushima, um terço da energia do país provinha de fontes nucleares.

O governo admitiu no início de junho que não conseguirá cumprir seu compromisso sob o Protocolo de Quioto, firmado em 2009, de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25% até 2020.
Futuro
Quanto aos planos em longo prazo, o governo do Japão divulgou há duas semanas um panorama contendo quatro cenários para atender à demanda energética nas próximas décadas, variando de 0% a 25% a contribuição das usinas nucleares até 2030.

Elaborada pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI) com a contribuição de 25 conselheiros, a revisão do Plano Energético Básico de 2010 significa que será realmente difícil para o país cumprir a sua meta interna de cortar em 31% as emissões de gases do efeito estufa até 2030.

Anteriormente, o plano sugeria que a energia nuclear geraria 45% da eletricidade nas próximas duas décadas.

O plano lançado pelo METI que exclui qualquer geração nuclear prevê que 35% da demanda será atendida por energia solar e eólica em 2030 (atualmente 11%). Desde 2009, tarifas feed-in (de alimentação da rede) incentivam os cidadãos a instalarem painéis solares em seus tetos e vender a energia inserida na rede de eletricidade. O setor industrial terá o mesmo tipo de incentivo a partir de julho.

Nos cenários de maior geração nuclear, o governo teria que ampliar a vida útil de algumas usinas acima dos 40 anos, algo improvável dadas as objeções da população. No meio termo, o cenário de 15% de nuclear condiz com a perpetuação apenas dos reatores já existentes até seus 40 anos em atividade.

Na tentativa de recuperar a confiança no setor nuclear, o governo também decidiu na semana passada substituir a criticada Agência de Segurança Nuclear e Industrial, submissa ao METI e acusada de se submeter aos desejos do lobby nuclear. A nova Comissão Regulatória Nuclear será independente e composta por membros de todos os três partidos políticos.

ICB





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