5 de dez de 2011

China pode se unir a acordo climático de 2015

Representantes afirmaram que país poderá aceitar entrar no pacto proposto pela Europa para criar um novo compromisso em 2015, mas apenas se nações desenvolvidas prometerem cumprir outros acordos já firmados



Enquanto as negociações climáticas na 17ª Conferência das Partes (COP17) continuam lentas, uma nova declaração da China pode ter acendido a chama da esperança nos que achavam que as discussões não levariam a um novo acordo. Neste domingo (04), membros da delegação chinesa sugeriram que o país poderá aderir ao novo pacto proposto pela Europa para 2015.

Apesar da declaração, o governo chinês deixou claro que o país só se unirá ao acordo climático – a ser estabelecido em 2015 e a entrar em vigor em 2020 – se alguns compromissos que já foram firmados anteriormente forem cumpridos pelas nações industrializadas.

“Acho que depois de 2020 deveríamos também negociar um documento juridicamente obrigatório. O problema agora é que temos que ver se implementamos conscienciosamente os documentos jurídicos que já firmamos. Essa é uma questão muito importante”, comentou Xie Zhenhua, vice-ministro da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC).

Entre os pontos que os chineses querem que sejam cumpridos estão um segundo período de compromisso sob o Protocolo de Quioto, a arrecadação de US$ 30 bilhões anuais em auxílio climático para países pobres até 2012 e de US$ 100 bilhões anuais até 2020, um quadro internacional para relatar as emissões de carbono e uma análise científica para determinar até 2015 se mais cortes nas emissões são necessários.

“Não excluímos a possibilidade de um [acordo] juridicamente obrigatório. É possível para nós, mas isso depende das negociações”, lembrou Su Wei, chefe do secretariado chinês para mudanças climáticas.

Alguns especialistas e negociadores acreditam que a declaração da China indica que o país está mais disposto a negociar seus compromissos. “A China está sinalizando que está tentando ser flexível e busca negociar construtivamente na próxima semana”, afirmou Alden Meyer, que dirige a estratégia e a política da União dos Cientistas Preocupados.

“Observando os comentários de Su Wei e Xie, a China parece estar mostrando abertura para considerar um processo em Durban que leve a compromissos juridicamente obrigatórios para o país após 2020”, acrescentou Meyer.

Outros creem que esse posicionamento possa levar outros países, como os Estados Unidos, a considerarem a entrada nos pactos climáticos. “Isso aumenta a pressão sobre os EUA”, observou Kelly Dent, assessor de mudanças climáticas do Comitê de Oxford de Combate à Fome (Oxfam).

“Teremos que ver se eles tomarão o próximo passo para se comprometer em Durban a um encargo para negociar o novo tratado até 2015. Se o fizerem, isso tornará difícil para os EUA bloquearem um acordo só porque cada aspecto de suas condições não foi satisfeito”, concordou Jake Schmidt, diretor internacional de políticas climáticas do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC).

Contudo, outros participantes da reunião foram mais céticos a respeito do comentário chinês. “A questão é o que eles estão preparados para firmar em Durban”, questionou um representante dos EUA que não quis se identificar. “O ministro Xie falou calorosamente sobre a necessidade de um acordo juridicamente obrigatório. Isso então significa que a China também será obrigada legalmente?”, tuitou Connie Hedegaard, comissária climática da UE.

Atualmente, com a aproximação do fim do período de compromisso do Protocolo de Quioto, muitas nações alegam que não participarão da extensão do protocolo ou de um novo acordo a menos que países emergentes como a China, a Índia, o Brasil e a África do Sul sejam incluídos. Por sua vez, essas nações alegam que como países emergentes, sairiam prejudicadas se aderissem a um pacto, já que não são tão responsáveis pelas emissões quanto os países ricos.

A União Europeia ainda está disposta a estender o protocolo, mas não vê razão para que isso seja feito se outros países não continuarem no pacto. “Já que a UE é o único grupo que está pronto para considerar um segundo período de compromisso, estamos prontos e dispostos a nos engajarmos construtivamente com a UE”, justificou Su Wei.

“A China está tentando achar um meio termo, especialmente com a Europa, o que seria necessário para conciliar as prioridades chinesas para a conferência, que são um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto e a operacionalização do Fundo Verde Climático”, completou Li Yan, ativista do Greenpeace China.

A COP17, que começou na segunda-feira (28/11) passada em Durban, na África do Sul, se estenderá até esta sexta-feira (09).


Fonte: Instituto CarbonoBrasil/Agências Internacionais

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