26 de fev de 2011

Gastos de US$1.3 tri em economia sustentavel

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a agência da ONU para o meio ambiente, divulgou nesta segunda-feira (21) uma nova estratégia para garantir um futuro sustentável para o planeta. A idéia é investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial – o que atualmente corresponde a cerca de US$1,3 trilhões – anualmente em dez setores-chave da economia para estimular o desenvolvimento de um modelo econômico sustentável.

“Os governos têm um papel central na mudança das leis e das políticas e no investimento de bens públicos para possibilitar a transição”, disse Pavan Sukhdev, economista sênior do Deutsche Bank e diretor da iniciativa Economia Verde do PNUMA. “Ao fazê-lo, podem também desbloquear os bilhões de dólares do capital privado em benefício de uma economia verde”.

De acordo com os dados, publicados em um encontro que reuniu mais de 100 ministros em Nairóbi, primeiramente a transição poderia levar à redução de postos de trabalhos em alguns setores, mas que num segundo momento o plano geraria índices de crescimento da economia iguais ou mesmo maiores que os da economia padrão.

Segundo o relatório, depois da fase de adaptação, os investimentos na economia verde passariam a se pagar através da criação de novos empregos, do desenvolvimento de novas empresas e indústrias renováveis, dos benefícios de uma atmosfera menos poluída, de economias resultantes da eficiência energética e da redução na emissão de GEEs.

Além disso, a transformação rumo a uma economia verde ajudaria a diminuir a pobreza e a reduzir à metade a ação humana no meio ambiente. O relatório também recomenda que sejam criadas políticas que desvinculem o crescimento econômico de um consumismo intenso. Segundo Sukhdev, “a aplicação inadequada de capital está no centro dos atuais dilemas do mundo e há medidas rápidas que podem ser tomadas, começando, literalmente, hoje”.

“Essas medidas englobam desde a diminuição e eliminação dos mais de US$600 bilhões de subsídios globais para combustíveis fósseis ao encaminhamento dos mais de US$20 bilhões de subsídios inadequadamente atribuídos a entidades envolvidas em atividades de pesca insustentável”, acrescentou.

A pesquisa realizada pelo PNUMA pretende confrontar o que considera os ‘mitos’ a respeito do desenvolvimento verde, começando pela idéia de que uma maior sustentabilidade significa menos progresso econômico. “Não há atualmente evidências substanciais de que a transição para uma economia verde iniba o desenvolvimento econômico ou a criação de oportunidades de emprego”, sustenta o relatório.

O relatório aconselha que os gastos totais sejam divididos da seguinte maneira: US$108 bilhões para agricultura; US$134 bilhões para tecnologias no corte de emissões; US$ 360 bilhões para energia; US$ 110 bilhões para pesca; U$15 bilhões para proteção de florestas; U$75 bilhões para a indústria; U$ 135 bilhões para o turismo; US$190 bilhões para o transporte; US$110 bilhões para resíduos e reciclagem e US$110 bilhões para água e saneamento básico.

Para Achim Steiner, subsecretário geral da ONU e diretor executivo do PNUMA, “com 2,5 bilhões de pessoas vivendo com menos de U$2 por dia e com um aumento populacional superior a dois bilhões de pessoas até 2050, é evidente que devemos continuar a desenvolver e a fazer crescer a nossa economia. No entanto, esse desenvolvimento não pode acontecer à custa dos próprios sistemas de apoio à vida na Terra, dos oceanos e da atmosfera que sustentam a nossa economia e, por conseguinte, às vidas de todos nós”.

O estudo, intitulado Toward a Green Economy: A Synthesis for Policy Makers (algo como Rumo a uma economia verde: uma síntese para responsáveis políticos), indicou que na primeira década do século 21, a intensificação das catástrofes naturais e a crise financeira mundial, levaram países e empresas a pensarem em alternativas mais sustentáveis para a economia.

“A economia verde, conforme documentado e ilustrado no relatório do PNUMA, proporciona uma avaliação centrada e pragmática de como os países, as comunidades e as empresas iniciaram uma transição para um padrão mais sustentável de consumo e produção”, ressaltou Steiner.

O PNUMA garante que o mundo vive um momento decisivo em termos de investimentos de baixo carbono. Enquanto países como a China e a Índia desenvolvem planos nacionais para a implementação de usinas e tecnologias verdes, na UE e nos EUA os investimentos em renováveis estão praticamente estagnados.

De acordo com outro relatório a ser publicado hoje pelo governo alemão, a não ser que a Europa invista no desenvolvimento de projetos verdes, continuará enfrentando baixas taxas de crescimento. Já o aumento das metas de redução de imissões de 20% para 30% poderia, poder exemplo, aumentar o PIB europeu para US$842 bilhões (um crescimento de 6%) e criar cerca de seis milhões de empregos entre os estados membros.


Jéssica Lipinski

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