1 de out de 2010

Da neve ao lixo, do ônibus ao edifício

No site da Agência de Mudanças Climáticas de Londres, é possível conhecer mais sobre as iniciativas londrinas para enfrentar as mudanças climáticas. De acordo com a página na internet, a meta é reduzir, até 2025, as emissões de dióxido de carbono na capital britânica em 60% em relação aos níveis de 1990. A meta é mais ambiciosa do que a do governo britânico, que é de 60% de redução em 2050, com base nas emissões de 2000.

“Para atingir esse nível, Londres tem que deixar de emitir 33 milhões de toneladas por ano, ou seja, quase o dobro do que o município de São Paulo emite anualmente”, explica Raquel Biderman, da Fundação Getúlio Vargas.

Com foco nessa meta, a prefeitura da Londres criou dois programas que visam a combater as mudanças climáticas ao dar suporte para o cidadão, empresas e organizações da sociedade civil. O foco da atuação londrina é eficiência energética e consumo consciente.

Top 500
Por meio do Green Organization, a prefeitura de Londres oferece suporte para o inventário de emissões, ajudando a aumentar a eficiência energética em todos os processos da empresa. Dá dicas de legislação e normas ambientais, de tratamento de resíduos e reciclagem para pequenas, médias e grandes empresas.

No âmbito desse programa há o plano Green500, que pretende envolver as 500 maiores organizações de Londres na implementação de boas práticas que visem à redução de emissões de gases estufa. Num primeiro momento, o público-alvo do plano são as grandes empresas com alto potencial de emissão de gases, mas a previsão é envolver organizações da sociedade civil e públicas. O plano prevê a redução de cerca de 1milhão e meio de toneladas de carbono, provenientes de organizações empresariais e públicas até 2010.

A lista dos “Top 500” em cortes de emissões é reconhecida por um prêmio anual, onde as empresas devem chegar ao “padrão-ouro”. Além dos benefícios ambientais decorrentes dessas reduções, a agência aponta como vantagens o corte de 20% dos custos da energia e aumento de 5% nas vendas em muitas dessas empresas.

Casas verdes
Outro programa londrino é o Green Homes (Casas Verdes). De acordo com a prefeitura, as casas de Londres são responsáveis pela emissão de 40% das emissões de CO2 da cidade. Por isso desenvolveu esse programa, que presta suporte para que cidadãos possam conhecer e adotar medidas que reduzem a sua contribuição para o aumento de gases estufa na atmosfera.

Com o pagamento de uma taxa de € 199 (R$ 515), o proprietário do imóvel delega a gestão ambiental da sua casa para especialistas do programa que durante um ano prestam apoio técnico: verificação da propriedade para detectar desperdício de energia, produção de relatório que recomenda as ações necessárias para reduzir os impactos do modo de vida do cidadão e dicas dos melhores fornecedores e produtos para atender aos objetivos do programa.

Boicote aos automóveis!
Foi “boicotando” o uso de automóveis que a administração da cidade de Bogotá, capital da Colômbia, provocou um revolução no sistema de transporte urbano que hoje é referência mundial. Ao invés de usar os recursos para construção de um grande viaduto, a prefeitura optou por melhorar o serviço de transporte coletivo. Além de grande insatisfação nos motoristas, a medida causou um caos no tráfego da cidade, ao ponto de fazer muitas pessoas optarem pelo ônibus. Assim, os moradores de Bogotá começaram a usar menos o carro individual, que é a opção de transporte mais comum nos centros urbanos.

Apontado em todo o mundo como um projeto inovador de transporte, o TransMilênio mudou o conceito de ônibus e deu nova identidade à idade. Enrique Penãlosa, prefeito de Bogotá na época (1998-2001), partiu do conceito de que a pergunta que se deve fazer não é “que tipo de transporte queremos?”, mas “em que cidade queremos viver?”.

Assim, foi criado um sistema integrado que utiliza ônibus articulados em faixas segregadas, com paradas em estações modernas, equipadas com catracas eletrônicas. Também foram feitos investimentos para o conforto e a segurança do pedestre: ruas exclusivas, calçadas largas, parques em bairros pobres com bibliotecas e escolas, instalação de bancos, plantio de árvores e iluminação pública.

O sistema custou cerca de US$ 300 milhões. Um imposto adicionado ao preço da gasolina foi responsável por 25% desses investimentos. O governo da Colômbia investiu os 75% restantes. O projeto estará inteiramente implantado até 2020, quando Bogotá deverá ter uma população de cerca de 9 milhões de pessoas (atualmente são 7 milhões). Até lá, estima-se que 85% das moradias da capital colombiana deverão contar com uma estação do TransMilênio a no máximo 500 metros de distância.

Mudanças Climáticas

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