27 de ago de 2010

Estudo do BID sugere que grandes desastres naturais não tendem a afetar o crescimento no longo prazo

Grandes desastres naturais não tendem a afetar o crescimento econômico no longo prazo, a menos que sejam seguidos de uma ruptura radical da ordem institucional da sociedade, sugere um novo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O estudo, que analisa o impacto de grandes desastres naturais, lança uma nova luz sobre a probabilidade de estas ocorrências prejudicarem o crescimento econômico no longo prazo. As teorias econômicas existentes não oferecem uma estimativa clara sobre seu impacto potencial.

O estudo examinou um conjunto de dados empíricos sobre desastres naturais e de indicadores econômicos para mais de 100 países entre 1970 e 2000. A pesquisa considera um desastre de grande magnitude quando as mortes causadas por ele excedessem 7 pessoas por milhão de habitantes. Esta é aproximadamente a taxa de mortalidade produzida pelo Furacão Katrina que atingiu os Estados Unidos em 2005.

Muitos desastres recentes ultrapassaram esse índice. O tsunami no Oceano Índico em 2004, por exemplo, matou 772 pessoas por milhão de habitantes na Indonésia e quase 2.000 por milhão de habitantes em Sri Lanka. Segundo as estimativas mais recentes, o terremoto de 2010 no Haiti matou mais de 20.000 pessoas por milhão de habitantes e o terremoto no Chile teve um índice de aproximadamente 17 pessoas por milhão de habitantes.

O estudo identificou diferentes amostras de países que satisfaziam os critérios e dispunham de dados econômicos para medir o impacto econômico depois da ocorrência do desastre. Para cada amostra de países, os pesquisadores compararam o desempenho econômico destes países com o que teria acontecido na ausência de um grande desastre natural. Para isso, criaram grupos de comparação com base em dados de países não afetados por desastres naturais.

O estudo mostra que apenas eventos muito catastróficos, com índices de mortalidade de mais de 230 pessoas por milhão de habitantes, parecem ter um impacto duradouro sobre o produto per capita.

Dentro da amostra estudada, há apenas quatro eventos que se encaixam nesse critério e que, por sua vez, dispunham de dados suficientes para a análise: o terremoto ocorrido na Nicarágua em 1972, o furacão em Honduras em 1974, o terremoto no Irã em 1978 e furacões e inundações na República Dominicana em 1979.

À primeira vista, os efeitos parecem consideráveis. Dez anos depois da ocorrência de um desastre natural, o produto interno bruto médio per capita dos quatro países desse grupo foi 10% mais baixo do que era na ocasião do desastre. Pelo grupo de comparação, o produto per capita seria 18% mais alto do que na época da ocorrência do desastre.

No total, isso significa que o PIB per capita médio dez anos depois após a ocorrência do desastre é quase 30 pontos porcentuais menor do que o nível esperado na ausência do evento .
No entanto, quando os pesquisadores examinaram os casos individuais, encontraram que os resultados só são estatisticamente significativos para o Irã e a Nicarágua, países que sofreram reviravoltas políticas radicais depois do desastre.

“Este estudo procura estabelecer o efeito causal entre desastres naturais e crescimento econômico”, disse Eduardo Cavallo, o economista do BID que liderou o estudo. “Os resultados demonstram que as economias geralmente recuperam-se do choque, a menos que o desastre natural aumente a probabilidade de uma reviravolta política radical que desmantele a organização institucional.“

Os resultados do estudo, porém, não eliminam a necessidade de assistência internacional quando um país sofre um desastre natural de grande magnitude. Os países precisam de apoio da comunidade internacional para lidar com os problemas sociais e financeiros decorrentes da destruição. As necessidades humanitárias são enormes e poucos países têm as reservas financeiras necessárias para lidar com as consequências imediatas dos desastres e recuperar a infraestrutura danificada, disse Cavallo.

“Desastres naturais podem ser uma experiência muito traumática para os países e a assistência é fundamental para aliviar o sofrimento humano e criar confiança na capacidade de recuperação do país”, afirmou Cavallo.

BID

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