16 de ago de 2010

As negociações rumo à COP-16

A seis meses da 16ª Conferência do Clima, que será realizada de 29 de novembro a 10 de dezembro, em Cancun, no México, as negociações rumo a um novo acordo climático global ainda estão travadas. No dia 31 de maio, começou a segunda rodada de reuniões pré-conferência em Bonn, Alemanha. E para que realmente se evolua nas negociações, é preciso apertar o passo.

Um dos principais pontos de discussão é o Acordo de Copenhague, o documento produzido na COP-15, em dezembro de 2009 e que não recebeu o aval de todos os países signatários da Convenção do Clima.

O acordo prevê um limite de 2ºC para o aumento da temperatura global, mas sem detalhar como esse controle será atingido. Além disso, ele prevê que os países proponham metas de redução de emissões poluentes de forma voluntária, ao contrário do atual Protocolo de Quioto, que obriga as nações ricas a reduzirem suas emissões. Segundo o último balanço da ONU, 113 dos 192 países da Convenção do Clima aderiram ao Acordo de Copenhague.

Mas as decisões internacionais sobre clima que devem ser consolidadas até Cancun não se restringem apenas ao Acordo de Copenhague. Como pode ser visto na seção Um acordo sem metas e sem consenso, além do documento, foi também estendido o prazo, em um ano, para que os dois grupos de trabalho que debatem o novo acordo global sobre clima apresentem suas propostas – que precisam ser consenso.

Pessimismo ou cautela?

A situação é semelhante à vivida nos meses que antecederam a COP-15: pouco tempo para definir muita coisa. E o risco de que o resultado do encontro em Cancun seja tão decepcionante quanto o de Copenhagen é grande. Nem os mais pessimistas esperavam que Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima – que irá transmitir o cargo no em julho para a costarriquenha Christiana Figueres – estivesse tão cético: "Não acredito que Cancún irá nos dar um resultado definitivo”, afirmou mais de uma vez nos últimos meses, apostando que apenas a partir de 2011 se consiga avançar com a agenda de forma efetiva.

De Boer não é o único a não acreditar em um acordo climático. Muitos delegados que se reuniram em Bonn entre os dias 9 e 11 de abril estão pessimistas com o desfecho das ações de combate ao aquecimento global, apontando que as conversas para estabelecer os parâmetros que sucederão o protocolo de Quioto a partir de 2012 perderam força.

Mariana Pavan, pesquisadora do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), entretanto, acredita que Yvo de Bôer está sendo cauteloso. “Tivemos dois anos de trabalhos intensos até a COP 15 e não conseguimos chegar no resultado desejado, o que aumentou a desconfiança dos países no processo. Mas ainda está cedo pra dizer se ele ta sendo realista ou pessimista”, analisa.

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