22 de jul de 2010

Por uma economia de baixo carbono contra o aquecimento global

A questão do aquecimento global alcançou contornos dramáticos com a publicação do relatório Stern no Reino Unido em 2006. Economistas de todo o mundo consideram que as empresas não podem mais desprezar os impactos ambientais no planejamento de seus empreendimentos. A prova científica de cataclismos iminentes neste século são irrefutáveis e há grande preocupação com o desenvolvimento de técnicas para utilização de energia limpa.

O aquecimento global está afetando seriamente a economia do planeta. O derretimento de geleiras provocará graves inundações afetando o abastecimento de água e a agricultura na Índia, na China e parte da América do Sul. As áreas costeiras, onde uma em cada vinte pessoas vive no planeta, serão seriamente afetadas, a começar pelos países mais pobres cujas economias serão muito prejudicadas. Mesmo os mais ricos não sairão imunes, como no sul da Europa, pelas dificuldades com a água, nos Estados Unidos, com o aumento da velocidade dos furacões, e no Reino Unido, com as inundações.

No Brasil, recentes catástrofes em Santa Catarina confirmam o desarranjo climático provocado pelo aquecimento global e falta de planejamento urbano. Encostas são ocupadas irregularmente atendendo a interesses políticos escusos que, na busca pelo voto, fecham os olhos dos administradores públicos, como acontece também em vários trechos da Serra do Mar no Estado de São Paulo.

Para se evitar as catástrofes serão necessários investimentos da ordem de 1% do Pib mundial reduzindo as concentrações de gás carbônico através da diminuição da procura por mercadorias e serviços que produzem emissões intensas, aumento da eficácia, eliminação do desmatamento e mudanças para tecnologias de baixo carbono na produção de energia, transportes e aquecimento.

A transição para a nova economia de baixo carbono é impostergável, apesar da grave crise econômica que se está atravessando com tendência a cortes nos gastos e protecionismo para os mercados internos que dificultam a meta de redução de 80% até 2050.

No caso do Brasil, grande parte das emissões é devida ao desmatamento na Amazônia que precisa ser contido. Além disso, o modelo de transporte rodoviário que utiliza diesel de baixa qualidade precisa ser alterado. A imprensa tem noticiado que a Petrobras distribui no País um diesel com alto teor de enxofre, que é cancerígeno, e exporta o limpo, desatendendo determinações do Conselho Nacional do Meio Ambiente, o que caracteriza um conflito entre governo, desenvolvimento e proteção do meio ambiente.

O aproveitamento do potencial eólico no Nordeste, onde há muito vento em época de seca precisa ser estimulado através de investimentos em pesquisas para que se tenha o modelo dinâmico dos ventos, pois faltam conhecimentos e a incerteza implica altos custos para aproveitar essa energia abundante no Nordeste e no Sul.

Falta no País uma política de incentivos para que as empresas se ajustem ao baixo carbono, pois os principais vão para o alto carbono. Governo, empresas e a sociedade civil terão de se unir para a gestão impostergável de uma nova economia de baixo de carbono.

Fala-se muito em preparar para as gerações futuras um mundo melhor, menos poluído, sustentável. Mas é necessário também preparar uma geração futura melhor, menos agressiva, mais consciente, menos consumista, o que poderá ser realizado através de um efetivo choque cultural e educacional que, para muitos, sequer foi iniciado.

Por Nagib Anderáos Neto, Engenheiro e escritor

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